A única constante no universo é a mudança.

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Netflix ou/e HBO?

A Netflix tem vindo a revelar-se como o gigante dos conteúdos audiovisuais – queira isso dizer filmes ou séries – no mercado do streaming. Aliás, foi ela a primeira a dar o grande passo, no sentido de revolucionar a forma como nos chega a casa esse tipo de obras, hoje em dia. Ao invés de esperarmos semanalmente o lançamento de novos episódios, optou por disponibilizar na sua plataforma, em “pacotes” completos de temporadas de episódios, as séries que também produzia.

Em relação aos filmes, aproveitou o tipo de dispositivos de visionamento que atualmente são usados, para investir também na produção dos mesmos e lançá-los também diretamente para a sua plataforma, acessível em TV, telemóveis, tablets e computador. Isto já para não falar dos restantes direitos, de outros produtores, que também adquiriu. Mas, na verdade, nunca faria sentido ter-se investido neste sistema, se não houvesse uma procura do público em relação, não só aos filmes, mas cada vez mais às séries. Séries que nas últimas décadas deixaram de ser vistas como o patinho feio do audiovisual, para se tornarem em produtos onde há investimento muito considerável, que fez subir a qualidade das mesmas ao patamar do que é exibido nos cinemas, muitas das vez ultrapassando esse mesmo patamar. Poder-se-á até discutir se as séries de sucesso não têm uma notoriedade e base de fãs maior do que os maiores blockbusters. Isto tudo se deve, principalmente, a uma grande produtora e distribuidora: HBO. A casa-mãe das grandes produções televisivas, tem vindo aos longo das últimas 4 décadas a alterar, lentamente, o panorama da TV por cabo americana (e mais recentemente mundial), ao lançar obras que são, algumas delas, hoje em dia autênticas bandeiras da marca, tais como Os Sopranos, Sete Palmos de Terra, Roma, Boardwalk Empire, a mais recente Guerra dos Tronos e tantas, tantas outras. E assim parece haver um ciclo virtuoso que se fecha, pois é agora a HBO que pega na estratégia original de distribuição da Netflix para a copiar. Netflix essa, cujos conteúdos nunca teriam a aceitação que têm tido, com séries como House of Cards, Stranger Things, a espanhola A Casa de Papel, Narcos, Boneca Russa e agora autênticos sucessos da 7ª arte, como foi o caso de Às Cegas com Sandra Bullock e o multi-premiado e candidato a inúmeros Óscares Roma, que levantou, por parte de Steven Spielberg, um debate sobre se faria sentido filmes pensados para plataformas de streaming terem espaço nos prémios dedicados a filmes, mesmo que estreados em salas de cinema (tema para um próximo artigo).


Assim, a Netflix provavelmente não existiria se antes a HBO não tivesse puxado os conteúdos televisivos para o patamar de visibilidade que gozam agora junto da cultura popular, mas também não deixa de ser menos verdade que a HBO teve que se reinventar para ser sustentável e aproveitar a estratégia de distribuição da Netflix para transmitir aquilo que tão bem faz. Haverá espaço para os dois? Para já, a resposta parece ser positiva. Toda a história que as liga, parece levar a crer que até será saudável coexistirem e motivarem-se a transmutarem-se, assim que seja necessário responder a novas necessidades dos consumidores. Em jeito de cena secreta pós-filme, entra agora em cena o gigante chamado Disney, que com todas as licenças que tem adquirido (falamos de Marvel e Star Wars à cabeça), prepara-se para apostar também na sua própria plataforma: Disney+. Três concorrentes ao trono. Se vão conseguir habitar pacificamente no mapa do streaming… Bem, a resposta segue nos próximos episódios.

João Pedro Eugénio