A única constante no universo é a mudança.

Sans-serif

Aa

Serif

Aa

Font size

+ -

Line height

+ -
Light
Dark
Sepia

Mundos Perfeitos: A Utopia e a Cidade do Sol

Esta ideia que todos temos de um sítio, de um sentimento, de um aspecto ou de uma pessoa que consideramos como perfeitos é algo comum às pessoas de todas as nações e de todos os séculos – e com um significado especial para quem enfrentou ou enfrenta preconceitos e estigmas ou para quem não se revê nem concorda com os modelos que a sociedade tanto gosta de designar como os únicos válidos. Nem sempre são os melhores nem, por sombras, os mais justos e honestos.

E já todos tivemos aquele momento em que nos sentimos sozinhos ou até incompreendidos quando questionamos a estrutura social e os seus dogmas. Ainda que não arranque esse mal-estar, ajuda saber que no passado houve duas pessoas que sentiram o mesmo a ponto de exporem publicamente as suas opiniões: Thomas More e Tommaso Campanella criticaram os costumes e tradições, desafiaram as convicções impostas e desejaram um mundo melhor.

Thomas More (1478-1535) retratado pelo pintor alemao Hans Holbein 1527

Thomas More foi um advogado e político que chegou a ocupar importantes cargos públicos e que, talvez por isso mesmo, não concordou com questões sociais, políticas e éticas da sua época. Uma das formas de contesto foi a publicação do seu livro A Utopia, em 1516:  More imaginou aquilo que seria a sociedade perfeita onde, por exemplo, existia o direito ao divórcio, à liberdade religiosa e à eutanásia. Se pensarmos que ainda hoje estes temas são tabus em Portugal e no mundo, então, consegue-se perceber em que sarilhos se meteu o autor, lá no século XVI.

A palavra “utopia” significa em grego antigo “nenhures” e Thomas More foi o primeiro a introduzir no vocabulário o significado de “sociedade ou ideal cuja perfeição é impossível de atingir”.

Tommaso Campanella (1568-1639) retratado por Francesco Cozza

Tommaso Campanella foi um monge italiano que se dedicou à teologia, à filosofia e à poesia, chegando a ser conselheiro de papas  e a ter a admiração de homens influentes que o protegeram. Todavia,  as suas ideias heterodoxas chocaram a norma e as mentes da época e ele foi preso e torturado várias vezes. Mas Campanella nunca de expor as hipocrisias da sociedade, trocando correspondência com pensadores e cientistas europeus, como Galileo Galilei, e escrevendo artigos e livros. No livro A Cidade do Sol, o autor criou uma sociedade sem divisões sociais onde todos são dignos, com distribuição igual de tarefas e partilha comum de bens, serviços e família.

 

«Sê o que quiseres, mas procura sê-lo totalmente»
Thomas More