A única constante no universo é a mudança.

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Don’t let the nose wear you, you wear the nose!

Sabes aquelas comédias americanas em que o nerd é sempre o gajo mais fixe, mas que nunca fica com a miúda? Pelo contrário, ajuda o desportista popular a ficar com ela, ensinando-lhe o que dizer e fazer. Esta linha narrativa tem sido usada vezes sem conta, mas não foi inventada por Hollywood. Aparece desde sempre em clássicos da literatura como ‘Cyrano de Bergerac’, uma peça em 5 actos escrita toda em verso por Edmond Rostand em 1897. 

Cyrano é um homem cheio de talentos, incluindo o dom da palavra, mas tem um problema: é muito feio, porque tem um nariz enorme. Este “defeito” impede-o de tentar conquistar Roxanne, porque acha que ela nunca vai conseguir apaixonar-se por alguém assim. Resolve então ajudar Christian, que também gosta de Roxanne, a conquistá-la. Escreve cartas por ele, ensina-lhe o que dizer e, efectivamente, conseguem o que querem e Roxanne não desconfia que as palavras que a seduzem saem de outra boca. 

Será que os medos de Cyrano têm fundamento ou só está a desperdiçar uma história de amor em função de um preconceito sem sentido?

Em 1990, Jean-Paul Rappenau – o padrinho da Festa do Cinema Francês deste ano –  adaptou a peça ao cinema e realizou uma das encarnações mais famosas de Cyrano de Bergerac. Com Gérad Depardieu no papel principal, o filme destaca-se por respeitar o texto em verso da peça.

Vinte e oito anos depois, ‘Cyrano de Bergerac’ volta ao cinema numa versão digital restaurada. A primeira exibição é hoje, às 21h30, no Cinema S. Jorge, na abertura da Festa do Cinema Francês. É uma boa oportunidade para novas gerações aprenderem a lição: don’t let the nose wear you, you wear the nose!